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Ritmos Negros debruça-se sobre diferentes movimentos musicais no Brasil, Nigéria e Jamaica. Organizada pelo historiador Amailton Magno Azevedo, a obra rastreia as memórias e as experiências rítmicas comomeio de compreender suas singularidades nas conjunturas de cada país. Os capítulos que compõem o livro permitem acessar parte da históriasocial de músicos e agentes sociais negros desde o último terço doséculo XX e as duas primeiras décadas do XXI. O livro édividido em três partes, que exploram diferentes ritmos musicais. Aolongo da leitura da obra, é possível observar também a predominânciade determinados estilos poéticos. De cunho interdisciplinar, a obraparticular um diálogo entre História e Crítica Musical, História e Antropologia, História e Musicologia, assim é possível conceber anegritude do Su do mundo como expressão discrepante à modernidade, ouseja, seria a metrópole de si mesmo. Na primeira parte dolivro, intitulada \"Samba, Jongo e Maracatu: patrimônio, música ememória dos antigos\", propõe-se rastrear saberes antigos quandoreposicionados no meio urbano. Na segunda parte, \"Tim Maia, Itamar Assumpção: benditos, malditos e nem um pouco santos\", pretende-seexplorar as ambiguidades da poética e o estilo pessoal de cada músico. Por fim, a terceira parte, \"Afrobeat e Reggae: música jovem, negra e urbana\", trata dos estilos negros no contexto da urbanização e decomo esses ritmos elaboraram ineditismos estéticos na músicaurbana. A partir da leitura da obra, apreende-se que asmusicalidades negras modernas revelaram ao mundo uma estéticaespecífica, fundadas num conjunto de valores culturais herdados docircuito África/América/Brasil, e também deixaram um legado políticode resistência cultural à máquina escravista e ao racismocontemporâneo.