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Aqueles seres humanos são uma ficção demasiado real, integrantes de um mundo mais próximo do que longínquo. Estão, por isso, no fim do quepodem fazer como negativo, nocivo ou dano, como maldade incontornávelque cada um mostra e oferece aos outros. Foi este o mundo que Bergmannos trouxe em imagens: um mundo de seres humanos reais instalados numa ficção por demais verdadeira. Um mundo em que esses homens e mulheres são suportados pela maldade que cresce e se evidencia - utilizando ou fazendo explodir as suas máscaras, esse esconderijo queinevitavelmente mostra - não tendo, afinal, outra alternativa que nãoseja realizar o existir assim. ¶ [António Júlio Rebelo.] ¶ Quando afilosofia se começou a interessar mais pelo cinema destacou-se desteso nome do sueco Ingmar Bergman como cineasta capaz de nos seus filmesproblematizar o ser humano confrontando-o consigo próprio, com osoutros, com o transcendente, com a arte, com o presente e o passado em termos estilisticamente novos e pessoais. Ora ele, que é bemconhecido em Portugal, tem estado, fora da Cinemateca Portuguesa -Museu do Cinema, ausente da bibliografia portuguesa especializada porrazões que talvez se prendam com o elevado índice de dificuldade ecomplexidade, e também com a extensão e a diversidade da sua obra. ¶[Carlos Melo Ferreira (do Prefácio)]