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O Brasil desenvolvimentista e a trajetória de Rômulo Almei

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ISBN: 9786559660179 ALAMEDA
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Rômulo Almeida, personagem central dessa análise sobre odesenvolvimentismo no Brasil, foi o chefe da Assessoria Econômica da Presidência da República no emblemático segundo governo de Getúlio Vargas. Dessa assessoria nasceram as principais iniciativas voltadaspara o desenvolvimento econômico que caracterizaram esse período, como a criação da Petrobrás, e que estabeleceram as bases para odesenvolvimento dos anos seguintes. Como muitos intelectuais da época, Rômulo formou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Bahia, antes de dedicar-se à economia e à administração pública. Em 1941, tornou-se diretor do Departamento de Geografia e Estatística do Território do Acre. Entre 1942 e 1943, foi professor substituto da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas do Rio de Janeiro. Em 1946, prestou assessoria à Comissão de Investigação Econômica e Social da Assembleia Nacional Constituinte, para em seguida estruturar o departamento econômico da Confederação Nacional de Indústria(CNI). Durante o segundo governo Vargas, liderou a elaboraçãode vários projetos: o que deu origem à Petrobras, as reformas do setor elétrico, a criação do BNDE (hoje BNDES), do BNB (Banco do Nordestedo Brasil) e da SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia). Muitas das iniciativas de desenvolvimentorural, regional e social, propostas pela Assessoria Econômica, nãoforam adiante, pois a coalizão de poder impedia a sua viabilização, omesmo acontecendo com a sua proposta de reforma administrativa. Com osuicídio de Vargas, em 1954, Rômulo Almeida deixou o cargo que ocupava então, o de presidente do BNB, já com a intenção de concorrer a umacadeira na Câmara Federal, mantendo-se ativo na vidapolítica. Decifrar os episódios e os sentidos da trajetória de Rômulo Almeida foi o desafio enfrentado pelo historiador e economista Alexandre de Freitas em sua obra. Parte da história de Rômulo, bemcomo de tantos outros dedicados servidores públicos, e do projeto dedesenvolvimento que ele representou tende, até pelo caráter dospersonagens envolvidos, a se perder. Daí a necessidade de centrar ofoco no papel e na visão de mundo desta ca¡mada de pensadoresprofissionais do planejamento, que ocu¡param posições estratégicas noapa¡rato estatal entre os anos 1940 e 1960. Junto com a história de Rômulo Almeida, caminham pares que, em determinado momento, foramnomeados em grupo como os \"boêmios cívicos\", caso de Ignácio Rangel, Jesus Soares Pereira e Cleanto de Paiva Leite. E os técnicos eintelectuais do setor público como Celso Furtado, Roberto Campos, Lucas Lopes, San Tiago Dantas, Hélio Jaguaribe e Guerreiro Ramos, queajudaram a remodelar o Estado brasileiro, em diálogo tenso e intensocom os \"intelectuais críticos da academia\", especialmente ossociólogos liderados por Florestan Fernandes, os \"intelectuaisindependentes\", como Caio Prado Jr. e Mário Pedrosa, e os\"intelectuais das classes populares\" que entram em cena nos anos1960. A partir da história do economista baiano Rômulo Almeida, vemos em movimento todo um grupo de grandes nomes, que ocupavam umaposição social geralmente subestimada pela literatura sobre o período: a dos \"intelectuais orgânicos do Estado\", que forjaram umprojeto-interpretação-utopia de desenvolvimento nacional.