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Foram quase sete anos de uma vida quotidiana, 1531 crónicas ditadaspela consciência e pela sensibilidade, nunca por uma qualquer agendaencomendada. Foi um período em que, se não nos limitarmos a contas demerceeiro, andámos de mal a pior. Por falta de homens bons, acompanhando uma escassez em que a Europa fi ca na cauda do mundo. Por ausência de ideias, excepto aquelas que foram apressadamente fi xadas mas nunca se revelaram fi xes nem sequer fi rmes. Pela vitória dopragmatismo sobre os valores. Pela emergência dos tecnocratas e pelaaceitação dos curtos horizontes dos gabinetes. Pelo excesso depalavras vãs e vazias, pela extinção da simples palavra de honra. Pela falta de participação cívica, política, ruidosa e teimosa - foramdemasiadas as ocasiões em que perdemos por falta de comparência. Foium percurso que me valeu passar da observação à indignação, deespectador a militante, de cínico a voluntário, de indiferente aempenhado. Tentei, sempre, praticar o equilíbrio. Nunca me passou pela cabeça o esboçar da equidistância - não a creio útil a ninguém. Ascem crónicas que aí fi cam têm um princípio e um fi m, mais do que uma lógica e um percurso lineares. São apenas os meus sinais exteriores, diletantes ou supérfl uos, irónicos ou infl amados. São um espelhorazoável de alguém que se afl ige mas continua obstinadamente a rir ea sonhar com algo de melhor, sobretudo para os mais velhos e para osmais novos, já que a geração em que nasceu tem cada vez menosdesculpa.