Òmìnira
ISBN: 9786559660407
A produção historiográfica sobre o escravismo e as formas deresistência de mulheres, crianças e homens escravizados no Brasil ébastante expressiva e tem sido desenvolvido, nas últimas quatrodécadas, em diversas universidades brasileiras e no exterior. Cada vez mais, há uma ampliação de temáticas e novas abordagens metodológicaspara interpretar o mundo da população da Diáspora Africana nas Américas. A obra "Òmìnira" se inscreve nesse campo, no qual ahistoriadora Valéria Costa reconstruiu trajetórias de pessoasescravizadas no Oitocentos, sobretudo, as de "pretos minas", queconquistaram a liberdade e tiveram que se reinventar paraviver/sobreviver em sociedade escravista, tendo como palco o Recife/PE. Milhares de escravizados precisaram refazerantigos laços familiares e de parentesco, construíram novas relaçõesde amizade, afetos, redes de sociabilidades, emaranharam-se emconflitos e tensões na luta por seus espaços (sociais, políticos, culturais, entre outros) no campo, nas cidades e em seus arrabaldes. Reconstituir, a partir das trajetórias de vida, essas experiências dos libertos que conseguiram algum prestígio no Recife é o objetivoprincipal da obra de Valéria Costa. A autora se interessa, emparticular, pelas perspectivas e expectativas dos africanos da África Ocidental, ou seja, os chamados "pretos minas". Os fragmentos de suasexperiências individuais e coletivas revelaram a formação de gruposafluentes dentro de comunidades negras (africanos e crioulos) no Recife. Portanto, é a história social desses grupos que é analisada ao longo dos capítulos que compõem este estudo. A obra busca entender as estratégias que diversos homens e mulheres elaboraram para sobreviver aos estigmas impostos pela sociedade escravista. Porfim, Valéria Costa faz emergir vidas, sonhos, pesadelos, mortes, alegrias e sofrimentos da população africana de um Pernambuco urbanooitocentista. Conhecendo tais horizontes analíticos os leitores vãopoder ver, ouvir e sentir ondas atlânticas arrebentando em Recifessolidamente negros.