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«Competia a Serafim falar, era a sua deixa. Obviamente, o cabo nãopretendia insinuar que o marceneiro se andasse a fazer ao piso àviúva, era só epígrafe para diálogo, metia-se conversa assim naquelesidos, era sobre Marília ou sobre o frio, em qualquer dos casos ointerlocutor de plantão deveria revelar larga estupefacção.» Depósitode relatos das vidas e paixões de Serafim e dos seus dez filhos, estanovela irradia deste o microcosmos da aldeia do Souto de Montemuropara um cenário que é o Mundo: desde uma Guiné-Bissau sob guerracolonial a uma Venezuela como meta de migrações, passando por Paris na fogueira do Maio de 68, por um soalheiro litoral pernambucano, pelacruel ditadura uruguaia, por missões combonianas em El Salvador e no Chile, por Cabo Verde, Moçambique, Canadá, EUA ou Galiza. Tendo comoâncora o ano da Expo98, a narrativa recua até aos primórdios do Estado Novo, atravessando os anos do flower-power, o PREC e o desencantosubsequente. Escrito com fúria apaixonada, Montemuro ilustra pedaçosde vidas recheadas de encontros e desencontros, ilusões e desilusões, triunfos e derrotas, cárcere e libertação.