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Raramente as condições sociais para a existência e análise dopensamento de um intelectual negro brasileiro são favoráveis. Dificuldades pela luta por sobrevivência e os combates contra asdiscriminações de socialização numa sociedade racista, ou, um temarecorrente, o drama de ser dois, de pertencer a dois mundos, a duplaconsciência, estar dentro de forma estranhada, desafiam as fonteslacunares. Ecoam aqui pensadores negros como Virgínia Bicudo, Alberto Guerreiro Ramos, W. E. B. Du Bois, Frantz Fanon, Stuart Hall, Patricia Hill Collins, Paul Gilroy, Bell Hooks. Há mudanças no estado da arte e da vida, mas muito ainda por ser feito. Parte desse trabalho, no âmbito da pesquisa sobre intelectuais negros no Brasil, encontra-se neste livro instigante de Rafael Trapp, sobre o sociólogo Eduardo de Oliveira e Oliveira. Uma vida admirável e errática, que reverbera numa obra influente, ao mesmo tempo que inacabada e desconhecidaatualmente. Trapp embrenha-se pelos caminhos de um intelectual negrocujas citações em textos raramente ultrapassam uma linha, uma únicamenção e sobre quem rondam muitos mistérios, de seu princípio ao seufim. Do trabalho do historiador emergem a figura humana, a vida familiar, o universo do teatro, as experiências na USP, os coletivosnegros em São Paulo, os projetos na UFSCAR, as diversas viagens aos Estados Unidos, as apostas e desilusões nos muitos mundos habitadospor Eduardo de Oliveira e Oliveira. Ainda mais importante: explicita-se seu pensamento inconformado. Um exemplo de vida e obra, uma pesquisa exemplar. Mário Augusto Medeiros da Silva Departamento de Sociologia Universidade Estadualde Campinas Sobre o autor: Rafael Petry Trapp é historiador eprofessor na Universidade do Estado da Bahia. Possui doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2018), instituição onde colaborou como docente no Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira, da Faculdade de Educação. Foi pesquisadorvisitante no Institute of Latin American Studies da Columbia University, em Nova York (2016-2017). É autor de publicaçõesrelacionadas às interfaces entre História e Educação das Relações Étnicorraciais no Brasil.