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Um homem foge do seu nome. E a vida foge-lhe, por sua vez. Fecha omundo em fotografias, fecha as lembranças em imagens. Perde-se na fuga por todos lugares: de Lhasa, no Tibete, a Timbuktu, no Mali, dosplanaltos do Ü a Llanfairpwllgwygyllgogerichwyrndrobwllllantysiliogogoch, de Bobo-Dioulasso a Djodjakarta. Os nomes chamam-no. Mas não háviagem mais longa do que a que faz por dentro de si mesmo. A pouco epouco, a doença faz com que vá perdendo os gestos. E, depois, perderáa memória, as sensações e as palavras. Um homem desmanchado. Um homemque vai deixando de ser homem. À medida que a morte se aproxima, tudose mistura numa voz solitária, cada vez mais distante e confusa. Sobra o medo que para lá do nada continue a ser o nada. E que o pássarotenha também perdido o gesto de voar. Um pássaro que tenha deixado deser pássaro.