Ir al contenido

Cidade «dilecta» cuja topografia sentimental se ergue numa«multidão de afectos antigos», como diz o título feliz Lisboa Contadapelos Dedos(2001), através dela, e de meio século de vida literáriado nossomelhor poeta em ficção e crónica, acompanhamos, em antologia breve, Baptista-Bastos (27 de Fevereiro de 1934) -dos loca sancta da infância ao «frenético, espadaúdo e veementemoço» do convívio intelectual comnomes de respeito, desaguandono «vago, confuso e grisalho senhorportuguês» que se confessa«de coração dócil», mas também «rude, grosseiro, impetuoso»... O olhar nomeia e descreve, cenografandorecantos que, não raro, há muito perdemos, a indagação faz-se memóriae, sem esquivar itinerários, funda-os enquanto referência maior oudá-lhes protagonismo. Não se trata de uma literatura de espaçoexterior a nós, sendo embora retratista dos bairros de Lisboa. É deinterior, numa duração proustiana, justificando uma topo-análise, enquanto «étude psychologique systématique des sites de notre vieintime». Esbate-se o olhar a favor da harmonia dos sentidos. Do váriobairro à casa, da janela à soleira, e ao Tejo, o espaço feliz, outopifilia, vence o hostil.