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Existe, neste livro de Vítor Pinto Basto, uma estranha deriva que nosleva facilmente do Porto, revisto nas nossas memórias, para a Rússiaoligarca dos dias de hoje. Só uma boa ficção pode ligar naturalmente Pusckin a Camões, faz sentar esse anti-herói de nome Carlos Palhal, apersonagem principal, no Bar Surrealista em Moscovo, ou obriga aperscrutar o olhar de Irina pelas enormes telas de Vasily Perov outenta voar pela densidade psicológica das persona-gens de Dostoievski. Só uma ficção plenamente conseguida nos transporta do Portugal«moderno», esquecido de si, para a Rússia dos Czares, de um país queresistia como podia, para a União Soviética das grandes manifestaçõesde massas, do Portugal bombista e revolucionário para a Rússia a preço de mercado. Uma obra resoluta, sem concessões, de leitura urgentepara quem quer perceber de como são feitas as pessoas iguais a nós. De sentimentos caóticos e desencontrados, da solidão que pesa à alegriaesfusiante, de raiva e de amor.