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Passado o tempo das revoluções, em que a brutalidade do sanguederramado era o próprio sustento das mudanças [...] estamos a viveruma verdadeira revolução cultural, que é insidiosa, mas persistente ecom não menor profundidade. Muitas decisões, com fortíssimasimplicações sociais, pessoais e até civilizacionais, são tomadas semuma reflexão consistente que mobilize a inteligência e a culturanos limites do possível. Vivemos uma inundação de um relativismofrequentemente imediatista, aceite tantas vezes por inércia ouincapacidade de produzir pensamento. Surgem novas ideologias querapidamente se tornam moda como que preenchendo um vácuo em tantosque, na correria barulhenta, deixam atrás de si e dentro de si umrasto de quase nada.[...]A ética, mais ainda que o direito que elaprópria devia inspirar, tem de continuar a ser o alicerce fundador dacidade. A ética, tantas vezes arredada das decisões, tem de serconvocada sempre. Precisamos de parar. Precisamos de silêncio quepermita ouvir a voz do pensa-mento. Este livro é um apelo e umapego lucidez. [...]