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Herman Melville [Nova Iorque, EUA, 1819 - Nova Iorque, EUA, 1891] foium exímio manipulador de significados ocultos, e serviu-se deles paraexplorar as profundas zonas da consciência humana que as convençõesliterárias da sua época não aprovariam ver à solta, directamente empalavras, sem a penumbra dos símbolos. Numa grande parte das suashistórias reconhecem-se sentidos múltiplos, e à de Billy Budd nãobastaria este, imediato, que valoriza a frustração sexual de Claggartvivida com ódio sádico numa profunda e amarga solidão. Pode afirmar-se que nenhuma outra obra sua levou a tão variadas e audaciosasinterpretações. Aquela que se detém no problema emocional e sexual de Claggart não deixa, ainda assim, de conduzir a outro problema, levantado pelo conselho de guerra que condenou Billy Budd e põe emrelevo uma verdade fundamental das sociedades regidas pela Lei: que aforça desta Lei se sobrepõe à consciência da Justiça.» [da Apresentação de Aníbal Fernandes] «No tempo em que não havia barcos avapor ou não eram, pelo menos, tantos como os que hoje existem, alguém que vagueasse ao longo das docas de um importante porto de mar teriapor vezes a atenção alertada por um grupo de marinheiros bronzeados, homens de um navio de guerra ou mercante com a roupa domingueira dequem tinha tempo livre em terra. Em certas ocasiões caminhavam lado alado, mas noutras eram como uma escolta a cercar uma qualquer figurasuperior da sua classe que andava com eles por ali fora como Aldebarãentre as luzes menores da sua constelação. Este objecto notável era o"Marinheiro Bem Parecido" de um tempo menos prosaico, tanto para amarinha de guerra como para a marinha mercante. E sem traçoperceptível de vanglória, antes com a simplicidade desenvolta da suanatural realeza, é que ele parecia aceitar a espontânea homenagem dosseus camaradas.» [Billy Budd, capítulo I]