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O curso de geografia e história da FFCL/USP

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ISBN: 9786586081602 ALAMEDA
26,93 € 26,93 €

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Debruçar-se sobre o próprio ofício constitui um exercício exigente epor vezes árduo quando feito pelos historiadores e Diogo Roiz temtodos os méritos por ter construído há tempos uma trajetóriasignificativa nessa direção. Com este trabalho sobre a trajetória daescrita da História e do seu ensino na (atual) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), o leitor é guiado em um percurso historiográfico de grande relevância e rica contribuição para a compreensão do regime de cátedras vigente na instituição entre 1934 e 1968. Uma questão de fundo orienta apesquisa documental e bibliográfica densa, a do surgimento dohistoriador profissional no Brasil. Para respondê-la são percorridastrajetórias institucionais e mais abrangentes de docentes ehistoriadores que implantaram as estruturas curriculares de História e de Geografia - assim foi o nascimento do curso - ao longo de décadas. Depoimentos e correspondências que expressam a escrita de si pordocentes e seus alunos foram cotejados com documentos oficiais paraque se desvendassem os procedimentos de contratação de professores, aimplantação de estruturas curriculares e de programas de ensino e otrânsito do autodidatismo à adoção de cânones historiográficoshegemônicos na Europa, desde os metódicos até os participantes dosgrupos da revista/\"escola\" dos Annales. Para além dessaperspectiva, o trabalho abre pistas sugestivas para a compreensão deoutro aspecto da questão, a formação de professores para a educaçãobásica em São Paulo, os antigos cursos primário e ginasial. Em plenaexpansão desse nível de educação formal, a adequada formação dosprofessores de História era tarefa a ser enfrentada num curso superior que dava conta também de formar pesquisadores num processo de ensinosuperior tardiamente iniciado se consideradas outras áreas, como o Direito e a Medicina. Para o autor, o surgimento da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas ocorreu não apenas em função docontexto da derrota pelas armas da reação paulista à perda dehegemonia política em 1932, como é comumente justificada sua fundação, mas também decorreu de um processo de modernização da sociedadebrasileira pós-1930, em plena era Vargas. Nesse sentido, o balançocrítico da historiografia apresentado permite ao leitor acompanhar asnuances interpretativas da questão e enveredar pela análise centradana apropriação dos aportes teóricos de Bourdieu e Sirinelli que serevelam fecundos para o estudo das trajetórias de intelectuais e suasformas de sociabilidade e das relações de poder nelas vigentes. Éesse enfoque que autoriza o autor analisar a carreira universitária no regime de cátedras como majoritariamente masculina e apresentar osdados que permitem ao leitor discernir como contrapartida dessasociabilidade formadora do reduto feminino, a expansão do ensinosecundário que abria as portas para a formação de professoras, asquais surgem na pesquisa como alunas dos catedráticos. Contradições que revelam o descompasso entre os dois níveis de ensino, distanciados pela atividade de pesquisa, esta sim, reduto masculinopor excelência, bem como a formação de um mercado de trabalho noensino secundário com características muito peculiares. Docentesfranceses em início de carreira abalaram-se do além-mar para formaraqui práticas historiográficas inovadoras em relação ao posicionamento metódico que impregnava o autodidatismo dos intelectuais brasileiros. De Afonso de Taunay a Alfredo Ellis Júnior, pioneiros do regime decátedras, o estudo perpassa a presença de nomes da estatura de Braudel, o grande paradigma, além de Monbeig, De Martonne, Gagé, Deffontaines, para alcançar Sérgio Buarque de Holanda, Eurípedes Simões de Paula e Eduardo d'Oliveira França como consolidadores docurso que na década de 1950 abandonou a interdisciplinaridaderestritiva da dupla formação para se tornar enfim o curso de formaçãoexclusiva de pesquisadores e professores de História, com fértilprodução de pesquisa e formadores de gerações de historiadores.