TELEFUNKEN
ISBN: 9789729250552 DERIVA EDITORES
«Luis Maffei afirma: o mundo existe. O poema começa já quando umaforma foi encontrada, não há nunca, pois, matéria simples, que nãopoderia ser dita por palavras. Há, logo, o acidente, a figura, a coisa de se estar vivo, que é existência mas não náusea, caos mas tambémperspectiva: "Assim: só o pequeno / barulho da cidade, longe / como se livre eu estivesse, / as gatas e / eu.". Nunca a pura abstracção, mas imediatamente a cidade, o subúrbio, os animais, os números, e depois, só depois, a interrogação que faz tremer os contornos dessas formas. Leitor atentíssimo de Camões, Luis Maffei ouve também atentamente alição de Herberto Helder: sim, "Transforma-se o amador na cousa amada/ Por virtude do muito imaginar", mas também: "O amador entra / portodas as janelas abertas. Ele bate, bate, bate. / O amador é ummartelo que esmaga. / Que transforma a coisa amada." (Helder 1961:13-14). A matéria busca a forma? Mas é a matéria que martela amatéria. Outro modo de se assemelhar, com paixão, iconoclastia. Pois a poesia de Luis Maffei é uma poesia de amor, e o amor é busca infreneda matéria. (à)» Com a Esquerda Mão - posfácio de Pedro Eiras a Telefunken